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Jan 10

O nosso património documental é vastíssimo e de uma riqueza incalculável. Os arquivos nacionais, regionais e privados, abrigam milhares de espécies já identificadas, descritas, inventariadas e acessíveis ao público.

Durante séculos foram produzidas enormes massas de documentos por todo o país, que se acumularam em espaços sem condições mínimas de preservação, sujeitas às maiores adversidades e a um abandono profundo.

Os trabalhos que diariamente se vêm desenvolvendo nos nossos arquivos na área da arquivística, permitem descobrir exemplares até agora desconhecidos que se revelam valiosíssimos, pela antiguidade, pela informação que contém, pela origem e proveniência, ou pela beleza da sua concepção.

Os pergaminhos são sinónimo disso. Em Portugal, desde o séc. IX a XIII, o único material de suporte de escrita utilizado foi praticamente o pergaminho. De origem animal, de cabra ou carneiro, a pele era sujeita a tratamentos de vária ordem que passavam pela limpeza, raspagem e secagem.

É frequente encontrarmos nos arquivos definitivos livros encadernados com fólios de antigos códices, em pergaminho, que foram utilizados por tabeliães e párocos para capas dos livros que produziam, durante o século XVI a XIX.

Num levantamento efectuado sobre esse tipo de capas de livros notariais e paroquiais do Arquivo Distrital de Leiria, foram contabilizados 308 fragmentos de documentos entre manuscritos litúrgicos (musicais), textos de direito, tratados teológicos, cartas régias, dividindo-se por latim, português, francês e inglês.

No decorrer deste trabalho, tivemos o ensejo de encontrar o documento mais antigo, em português,  existente  naquele Arquivo, de que há conhecimento. Trata-se de um fólio de um escritura de emprazamento e doação, de 1391.

Escrito em letra gótica cursiva, mede 460X270 mm e serve de capa a um livro notarial do concelho de Alcobaça, iniciado no ano de 1723 e terminado em 1724, pelo tabelião Manuel Homem Coutinho.

Chegou até nós bastante deteriorado, com marcas evidentes de maus acondicionamentos e permanência em locais totalmente desapropriados. Atravessou séculos e foi reencontrado. 

Ficámos mais ricos.

Fonte: 1º Ofício do Cartório Notarial de Alcobaça

PT/ADLRA/NOT/CNACB1/1/22

 

 

 

publicado por Ana às 23:03
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