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Fev 10

Figura incontornável da nossa História, o Marquês de Pombal tem sido das mais polémicas e controversas, que continua a instigar investigadores e especialistas para melhor o conhecerem e compreenderem.

Considerado por uns o maior estadista de todos os tempos, foi contestado por outros relativamente a algumas medidas de força que implementou no seu governo, denunciando um carácter déspota, autoritário, ambicioso e que muitos não perdoaram por terem sido alvos da sua acção governativa.

Governou a seu belo prazer, pôs e despôs de acordo com os seus ideais e as suas convicções, apoiado pelo seu rei, ganhou o respeito e admiração de uns, mas também fomentou ódios e incompreensão de outros.

Com a morte de D. José, o tempo útil como ministro do reino, chegava ao fim.  Sucede-lhe sua filha D. Maria, acérrima opositora à política de Pombal, que em Agosto de 1781 o declarou por decreto réo e merecedor de um exemplar castigo.

Banido da Corte e da capital, Marquês de Pombal foi exilado para sua casa em Pombal, destituído dos seus bens e com parcos meios de sobrevivência, doente e triste, tendo como único amparo a sua mulher, abandonado por quem  antes o venerara e adulara, enfrentou a morte, desiludido e cansado, tendo sido sepultado na Igreja do Cardal, porque a Corte não permitiu que ficasse no jazigo de família  na Igreja das Mercês em Lisboa.

As formalidades fúnebres, decorreram sem as honras da Corte, mas com toda a solenidade e pompa, que a religião católica tem  para abençoar os seus defuntos. Embalsamado, vestido com o manto e hábito de S. Francisco, entre responsórios,  missa cantada, assistido com grande número de clérigos de todo o Arcediagado e com cerca de três milhares de pessoas a prestar-lhe a última homenagem.  O Bispo de Coimbra acompanhou todas as práticas fúnebres e no dia último dia, celebrou a eucaristia seguida da oração fúnebre, considerada ímpar e perfeitamente adequada ao estadista que havia sido o Marquês.

Foi lavrado o respectivo assento de óbito pelo pároco da freguesia de Pombal, nos termos que a seguir se transcrevem:

À margem : villa o Escelentissimo Sebastiam jose de carvalho e Mello Marques de Pombal. Teve 2 officeos de 9 lli (?)- Martins

Texto: Aos oito dias do mes de Maio de mil sete centos outenta e dois faleceuo da vida prezente com todos os sacramentos o Excelentíssimo Sebastiam jose de Carvalho e Mello Marques de Pombal casado com Dona Lianor Ernestina de Daum moradores nesta vila de Pombal seo corpo foi depositado na capela da Ordem terçeira da igreja do Convento de São Francisco de Nossa Senhora doo Cardal desta vila de que fis este termo que asignei. Era e dia ut supra vigario Francisco Martins.

Fontes: Livro de óbitos da freguesia de Pombal (1772-1797) incorporado no Arquivo Distrital de Leiria PT/ADLRA/PRQ/PPBL09/3/3.

Só em Junho de1856, os seus restos mortais foram trasladados para Lisboa, em honroso préstito, constando de uma acta  da reunião de Câmara em Leiria de 20 de Maio de 1856, estar previsto a chegada a esta cidade o préstito que acompanha para a Capital do Reino os restos mortais do defunto Marquês de Pombal devendo ser depositado o féretro na Igreja do Espirito Santo (...) sendo para desejar que este concelho faça as possíveis demonstrações de reconhecimento pelos serviços daquele sábio estadista que tanto engandeceu a Pátria. 

De facto houveram diligências entre a Administração do Concelho de Leiria, a Administração do Concelho de Alcobaça, porque provavelmente também iria passar ali, e o Governo Civil de Leiria para de forma condigna procederem às formalidades adequadas ao acto.

Fontes: Fundo do Governo Civil de Leiria incorporado no Arquivo Distrital de Leiria.

PT/ADLRA/AC/GCLRA/D/032

Em Pombal, no túmulo onde esteve sepultado o Marquês, na igreja do Cardal,  conserva-se  uma placa com a seguinte inscrição:

Aqui estiveram depositados os restos mortaes do Grande Marquez de Pombal Sebastião Joze de Carvalho e Mello desde 1782 até 1856 em que foram trasladados p. Lisboa pelo seu Quarto Successor".

Acerca dos restos mortais do Marquês e ainda em Pombal, foram profanados pelas tropas francesas e posteriormente em Lisboa, com a implantação da República voltou a ser alvo de vandalismo, obrigando a nova mudança, desta feita para a Igreja da Memória.

Nem na morte descansou em paz.

 

 

publicado por Ana às 22:14
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