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Jun 11

O sonho de ter automóvel é tão antigo como o seu aparecimento e bem cedo começou a fazer parte do imaginário de algumas pessoas.

No encalço desse sonho surgem na década de 50, em Leiria, grupos de jovens rapazes que, em sociedade, adquiriram o seu carro. Em grupos de três, quatro ou mais, numa faixa etária entre os 18 e os 30 anos, alguns rapazes aventuraram-se na aquisição do seu Ford, Citroen, Overland que pela sua irreverência, espírito de aventura e ainda sem encargos familiares, desejavam sair do seu círculo restrito e limitado e procurar emoções e divertimento, fora de portas.

Tratava-se de uma “sociedade” porque o valor da compra do veículo era dividido por todos, bem como as despesas da gasolina e as reparações (apenas as peças) porque a mecânica era assegurada por um dos elementos. Quando um deles por qualquer motivo se via impedido de ir, para que a saída não pesasse no orçamento da sociedade, convidavam um amigo interessado que participava na despesa do combustível.

 

Dentro destes moldes foi um desses grupos constituído por Armando Santos, Augusto Constantino Lopes, António Carlos Santos Morgado, César Faustino da Silva Lopes e Artur, alguns dos quais bancários do BNU, que em regime de sociedade, adquiriram um Ford A, descapotável a um dos proprietários da Baquelite Lis. Eles próprios o repararam e os estofos, habilidosamente arranjados por Mercedes Castanho, uma modista da praça de Leiria, cunhada de Armando Santos. Tudo mão de obra caseira. E era vê-los todos os domingos na eleita Praia de São Martinho do Porto.

Como é evidente incidentes e peripécias aconteceram. Acidentes, avarias… Contam que num dos regressos a Leiria o Ford decidiu verter águas e só não ficaram empanados porque lhe aplicaram  um pão que havia sobejado do lanche, permitindo-lhes chegar ao destino sãos e salvos. "Morreu" o Ford às mãos de Armando Santos que depois de um aparatoso acidente, acabou num ferro velho. (Foto cedida por Armando Santos).

Um outro grupo era formado por Filipe Silva, António Silva, José Silva, Vítor França e outro, que experimentou a sensação de liberdade e aventurismo, com um Ford A, comprado a um elemento da família Marques da Cruz. Tinha a particularidade de ter uma roda suplente maior que as do próprio carro. Não tinha macaco nem chaves de rodas. Nunca tiveram um furo. Foi vendido mais tarde para um ferro-velho de Torres Novas, tendo sido substituído por um Citroen ( Arrastadeira) de 11 cavalos.

Santarém, Tomar, Figueira da Foz eram, entre outros, os destinos preferidos dos fins de semana, que passaram a ter outro sabor. A sexta-feira à noite era, sem dúvida o momento mais desejado depois de uma semana de trabalho. Leirienses de gema, procuravam outros lugares, onde não eram conhecidos, para dar largas aos seus devaneios boémios e onde se faziam passar por aviadores da Base Aérea de Monte Real,  para impressionar os locais que frequentavam, conquistando alguns corações femininos mais desprevenidos.

A moda pegara e outros grupos surgiram. O Carro dos Oficiais, ou O Carro dos Militares, de cor azul  pertencia a uma sociedade de oficiais do Quartel de Artilharia 4.

 

Famoso ficou também o Overland amarelo descapotável que pertencia a Óscar Alvares Pereira, Nini Pereira, João Alves, António Varatojo, Joaquim Ramalho, Saraiva, Joaquim Gordalina, Álvaro Pereira, José Pereira. Esta "relíquia" ainda vive.

(Foto cedida pelo Sr. Mó Hingá)

 

 

Estes automóveis estacionavam habitualmente no largo da Sé e as reparações de alguns deles estavam a cargo da Oficina dos Hingás.

O que foram outrora realidades, hoje não passam de boas recordações.

publicado por Ana às 23:07
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