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Fundada em 6 de Junho de 1966, a União Desportiva de Leiria foi um clube eminentemente futebolístico. Foi o seu primeiro presidente Alfredo de Sousa Brandão que a de Abril de 1967 emitiu uma circular, de linguagem poética, mas à época, muito usual e aglutinadora, que passo a transcrever:

Prezados Consócios, Amigos e Simpatizantes

VÃO já decorridos dez meses sobre a fundação do NOSSO CLUBE, fruto do entusiasmo, do dinamismo, do amor dos leirienses à sua terra e do desportivismo de tantos e tantos.

Naturais desta encantadora parcela da Terra Lusitana ou há muito aqui residentes, ou, ainda, afeiçoados a Leiria pelo coração ou pela hospitalidade das suas gentes, todos nos congregámos para “num só coração e numa só alma” dotar a bela princesa do lis e o seu Concelho, dum clube desportivo digno e capaz de lembrar o esplendor áureo de outros seus antepassados e que possa ao mesmo tempo tornar-se cartaz policromado deste rincão perfumado pelas flores do verde pino.

Venceram-se as primeiras dificuldades. Muito há ainda para fazer.

Iniciaram-se os primeiros passos e já muito se andou, até mesmo aonde não esperaríamos poder chegar em tão escassos meses.

A obra é de todos e para todos. Precisamos do apoio e da compreensão de todos os leirienses de boa vontade espalhados por todo o concelho ou que moirejam em qualquer parte do mundo, para fazermos da UNIÃO DESPORTIVA DE LEIRIA  o clube de todos os leirienses  em prol do Desporto e de Leiria e de todo o seu Concelho.

Sem desânimos, sejam quais forem os insucessos do primeiro ano ou por melhor que sejam os resultados, EM FRENTE: a obra não é só para hoje mas também para o futuro.

Pela Direcção o Presidente Alfredo de Sousa Brandão.

Parece-me ver que no início nem tudo ia de feição, o que terá levado o  presidente a editar esta circular, cujas folhas interiores, apresentam as tabelas com os resultados dos jogos distritais da 1ª categoria e dos juvenis,  dos jogadores utilizados, o número de golos  marcados e sofridos, o calendário co campeonato da III divisão, informação pertinente para avançar com o projecto, a fim de motivar os leirienses. A reforçar esta ideia, encontra-se, na última página, a proposta para sócio de Eusébio da Silva Ferreira, o grande craque do Sport Lisboa e Benfica.

A União Desportiva de Leiria, muito apoiada pelos leirienses, passou a ser a paixão desportiva de muitos deles, que viviam intensamente os jogos, que decorriam tanto em Leiria, como fora dela. Nos Domingos, famílias inteiras deslocavam-se a outras localidades, para aplaudir os seus jogadores, sempre esperançosos na vitória do seu clube.

O meu pai afeiçoado a Leiria pelo coração e também pela hospitalidade das suas gentes, apesar de não ser sócio, nutria simpatia pelo clube e uma paixão pelo futebol, sublimada como jogador do Bombarralense e depois da equipa dos Marrazes. Por esse motivo, deslocávamo-nos algumas vezes e lembro-me de irmos a Portalegre, Figueira da Foz, Marinha Grande, Nazaré, Cantanhede, sendo que, de forma geral, os homens assistiam ao jogo e as famílias passeavam pela urbe.

No final dos jogos, grupos de adeptos juntavam-se na Praça Rodrigues Lobo onde celebravam as vitórias e choravam as derrotas. Houve quem lhe chamasse, “A Praça das Lágrimas”.

Fruto de um grande trabalho do clube e do apoio da terra, a União foi singrando, até conseguir entrar na 1ª Divisão do Campeonato Nacional. Leiria regozijava-se!

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publicado por Ana às 15:26

 

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O Teatro José Lúcio da Silva em Leiria

Após décadas de existência como primeiro polo cultural de Leiria, o Teatro D. Maria Pia, foi demolido e o terreno limpo em 16 de Janeiro de 1959. Com instalações a não oferecerem segurança para os seus frequentadores, com uma lotação muito restrita para a população que usufruía daquele espaço, com a necessidade de grandes obras de remodelação, propôs o Vereador da Câmara Municipal de Leiria, António Augusto Jorge Marçal, em 23 de Janeiro de 1945, que fosse encontrada uma solução para dotar a cidade de um espaço condigno para cinema e teatro.

Em 7 de Outubro de 1957, a Associação do Teatro D. Maria Pia, solicitou ao município autorização para ser construído o “Barracão”, no Largo 5 de Outubro, que permitisse receber espetáculos, pelo período de um ano, tempo necessário à remodelação do Teatro D. Maria. Funcionou muito para além do tempo previsto, em condições sem o mínimo de conforto, de temperatura e de saúde.

Ora, desde a proposta de 23 de Janeiro de 1945 e posterior demolição do edifício do Teatro, a localização do novo edifício foi o ponto crucial do processo, uma vez que tinha caído por terra a construção no primitivo terreno. Foi apontado o Campo D. Luís I, posterior Largo 5 de Outubro, também um terreno da família Serrador na Rua Comandante Almeida Henriques. Chegou a ser expropriado um terreno de Dâmaso Luís dos Santos, na Rua Duarte Pacheco e outra das propostas incidiu num terreno da família Marques da Cruz, a norte do Largo 5 de Outubro.

Outrossim as condições apresentadas pela Associação do Teatro, à Câmara, nomeadamente as indemnizações, originaram muitas negociações, sem sucesso que arrastaram o assunto por muitos anos e que envolveram outras instituições até ao Tribunal Judicial de Leiria, bem como alguns proprietários de Leiria.

Em 13 de Julho de 1962 a Associação renuncia às suas exigências.

Decorria o ano de 1963 e numa reunião extraordinária de 23 de Outubro, o Presidente da Câmara Municipal de Leiria deu conhecimento de uma doação de um leiriense no valor de 5000000$00 (cinco milhões de escudos) para a construção de um cine-teatro.

A Câmara Municipal viabilizaria um terreno e assumiria os compromissos propostos.

A residir em Lisboa, José Lúcio da Silva foi o grande benemérito do Teatro, a que edilidade camarária atribuiu, com toda a justiça o seu nome. A mesma Câmara, propôs ainda, ao Governo,  uma condecoração e deu o nome ao Largo de José Lúcio da Silva.                                      

António Marques da Cruz cedeu umas parcelas de terreno, onde veio a ser construído o tão desejado Teatro, inaugurado em 15 e Janeiro de 1966. A comemorar a efeméride esteve a Companhia do Teatro Nacional D. Maria II de Lisboa, com a peça “Os Velhos”, da autoria de D. João Câmara, presidida pelo Presidente da República e Ministro do Interior.

A primeira sessão de cinema realizou-se no Domingo de 16 de Janeiro do mesmo ano, com a metragem “Lord Jim”, produzida pela Colômbia Films.

O Teatro José Lúcio da Silva foi um dos melhores empreendimentos do século passado em Leiria. Os leirienses ficaram ufanos do seu Teatro. De arquitectura vanguardista, com uma sala de espetáculos espaçosa e confortável, com um palco de dimensões bastante generosas, foi o primeiro teatro do país a possuir quadrifonia. É considerada uma das melhores salas de espetáculo do país.

 

 

[1] https://www.google.com/search?q=teatro+jos%C3%A9+lucio+da+silva+leiria&sxsrf=ACYBGNS_TnFJjuLMOHAYZWQLwSng40bTTA:1581961033676&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=2ahUKEwi3rNeLkNnnAhXwzIUKHa5-AuMQ_AUoAXoECA4QAw&biw=1366&bih=657#imgrc=kP8m1hvsuxQX0M

publicado por Ana às 13:59

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