08
Fev 10

Os terramotos estão na ordem do dia.

A Terra não pára de nos surpreender e sistematicamente nos dá sinais da sua irrequietude, versatilidade e poder.

Em Portugal, o mais célebre por ter sido o mais devastador, deu-se a 1 de Novembro de 1755, que assolou de forma implacável, a cidade de Lisboa. Historiadores, geólogos, sismólogos,  têm  dedicado uma boa parte do seu estudo a este fenómeno.

Sobre o assunto podemos encontrar nos nossos Arquivos Históricos descrições, relatos e notícias, sobretudo em fundos documentais de cariz religiosa como os conventuais, paroquiais, diocesanos o que justificável tendo em conta que a igreja, com toda a sua máquina humana, tinha praticamente a exclusividade da escrita em Portugal, com maior relevância, nos meios pequenos, onde os padres ou párocos eram a única figura da literacia.

Encontrámos uma dessas descrições num livro de registos de baptismo da freguesia de Maiorga, do concelho de Alcobaça, logo a seguir ao termo de abertura do mesmo e que nos diz o seguinte:

Neste anno de 1755 dia de todos os Santos do prezente anno, ouve hum grande Terremoto quazi en toda Europa e nós o sentimos no nosso Reino de Portugal principalmente a Corte e a cidade de Lisboa sendo esta o Paraizo da terra agora ficou destroida e quazi arazada, de sorte que não ficou templo nem caza onde pudesse habitar morador algum nem celebrar o Santo Sacrificio da Missa por que depois de ficar toda a supra dita cidade a ruínada veio o fogo e debrazou ou queimou todas as riquezas que nella havia e muitas mil almas se queimarão vivas por ficarem de[bai]xo  doa edeficios. Villa Franca Povos Castanheira tão bem a mayor parte se arazou Alcobaca ficou muita parte destroida nesta villa cahirão algumas cazas, e algumas ficarão para secula seculorum  a que aqui cahio já mais se levantou a nossa Igreja a parede da parte do Pulpito abrio por todo o comprimento hũa grande brecha e me parece que tarde se red[?]eficará rezão porque os freguezes della falta o zello mas muito a prezunção.Não está assinado mas o seu autor terá sido o vigário Manuel Sousa Lima.

Fonte: Livro de Baptismos de Maiorga, existente do Arquivo Distrital de Leiria– ADLRA/PRQ/PACB09/1/6

publicado por Ana às 13:32

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