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Dez 11

No seguimento do post anterior não resisti a trazer e apresentar uma pessoa, praticamente desconhecida, nos dias de hoje, mas que desempenhou e teve uma acção importantíssima no meio social leiriense no início do séc. XX. Refiro-me a  Maria Laura Lopes Vieira Oliveira.

Filha de Dr. Adriano Xavier Lopes Vieira  e de Ana Bárbara Charters d’Azevedo Lopes Vieira, nascida em Leiria a 7 de Agosto de 1878, bem cedo se começou a distinguir pelo seu carácter pouco vulgar. Apesar de apresentar um ar altivo, era de uma simplicidade e de uma bondade sem limites. Afável com todos, ricos ou pobres, tinha contudo, uma tendência e uma preferência natural para ajudar e resolver os problemas dos mais carenciados, fosse de forma moral ou material.

Estava sempre disponível para organizar festas de beneficência, integrar comissões associativas de forma altruísta, que a sua actividade e prestígio enriqueciam.  Quando algum conflito se revelava ou censuras e críticas malévolas se manifestavam, Laura, com o seu bom senso e nobreza de sentimentos,  com inteligência e rectidão, resolvia-os de forma assertiva e consensual.

Seguia os preceitos religiosos de forma convicta com uma fé inabalável, mas longe de fanatismos.

Em família era considerada um modelo, uma “fada do lar”, era o centro, a responsável pelo ar saudável e repousante que se respirava no seu lar. Recebia com elegância e simpatia. Sempre disponível para quem lhe pedia conselhos, fossem familiares ou pessoas mais afastadas. Cuidar, proteger era uma constante da sua vida.

Apesar de sempre muito ocupada, dedicava alguns momentos à pintura. Era considerada talentosa, mas a sua modéstia não permitia exibi-la, cingindo a sua arte apenas à decoração da sua casa.

Senhora das mais ilustres da alta sociedade leiriense, era casada com o Dr. Luís José da Câmara Oliveira,  e teve a fatalidade de falecer bastante nova, no verão de 1918.

O comércio encerrou em Leiria, no dia do seu funeral. As pessoas mais representativas da cidade, de todas as classes sociais, associaram-se à família enlutada.

Tem descendentes, que residem em Leiria, que como ela, têm prestigiado a nossa cidade:  Drª. Laura Dias, ilustre professora de matemática e Dr. Tomás de Oliveira Dias,  funcionário público, advogado e administrador de empresas, dedicado a causas públicas.

Tivemos o “nosso primeiro contacto” quando organizávamos o acervo documental da Cruzada das Mulheres Portuguesas em Leiria, depositado no Arquivo Distrital de Leiria e a encontrámos como presidente da associação.

Hoje e porque já passou quase um século sobre a sua existência, Leiria deve recordá-la e dar a conhecer o seu trabalho, o seu carácter, a sua individualidade e a sua imagem.

 

 

 

publicado por Ana às 18:20

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